Quinta-feira, Junho 25, 2009

filme • Eles Vivem

Vi ou não vi?

Você está no cinema sossegado, vendo Clube da Luta. Não sabe por que, mas sempre que o personagem de Edward Norton parece querer mudar de atitude você tem a nítida impressão de que Tyler Durden está lá, mandando ele fazer isso. Pois, mesmo que você ache que não, ele estava, por menos de meio segundo.

A subliminariedade (o ato de utilizar imagens que o globo ocular não assimila, mas o cérebro interpreta como estímulo) esteve presente largamente na época de ouro da propaganda, fazendo com que mais e mais pessoas bebessem Coca-Cola e se iniciassem no vício do cigarro desde cedo. E foi exatamente nesta época que James Vicary, um especialista em marketing americano, apontou para os possíveis problemas da utilização constante do mecanismo subliminar, trazendo à tona efeitos negativos e, consequentemente, o medo constante da manipulação. Apesar de sua pesquisa ter sido colocada em xeque por ele mesmo, não há dúvidas de que a subliminariedade existe e pode mudar decisões se utilizada da maneira correta. Claro que há também (como tudo) aqueles que se aproveitam do tema pra gerar confusão e explicações irracionais, ignorando completamente aspectos culturais ou qualquer outra informação que pudesse ser útil e existem os grupos que se utilizam da simplicidade das pessoas em relação a religião vendo coisa onde não tem e alguns até envolvem certas lendas urbanas para o meio da subliminariedade. Até a linha de teorias da conspiração flertam com o assunto. Aqui no Brasil até existe uma Legislação que coíbe a utilização de mensagens subliminares latentes em propaganda, entretanto ela está presente do mesmo jeito ao associar jovens saudáveis à bebidas alcoólicas e cigarro. Além disso temos um grande especialista na área: Flávio Calazans pintou e bordou em cima do tema, gerando palestras muito legais e livros carregados de informação. Em “Propaganda Subliminar Multimidia” ele fala do histórico da subliminariedade, atrelando o assunto a campanhas políticas e até a mistificação do conteúdo subliminar nos quadrinhos. Nas HQ´s ela também aparece com certa freqüência (até na Turma da Mônica já foram encontradas), e no cinema há uma utilização moderada para causar impacto e o pessoal da Disney que adorava sacanear o estúdio por baixo dos panos, além do caso clássico de Bernardo e Bianca.

Mas nenhum filme foi tão feliz em retratar o assunto quanto o “clássico” Eles Vivem, de John Carpenter. A história é simples, mas muito avançada para sua época: os EUA estão um caos e as classes sociais estão mais diferenciadas do que nunca. Pobres estão mais pobres e ricos, mais ricos. No meio disso estão os que tem esperança de melhorias e os que apenas trabalham para viver. Mas por que classes tão divididas? Grupos acusam o governo de não ajudar a população a evoluir e o governo caça os manifestantes impedindo suas ações pró igualdade. E há os que acreditam que alguma força superior está deixando a América em pedaços, tratando o proletariado como escravo. Mas serão os ricos realmente humanos? E a mídia, por que não revela o que realmente está ocorrendo? Um trabalhador comum descobre um artefato que revela toda a verdade na frente de seus olhos, e essa verdade é triste, injusta e vai contra tudo o que ele acredita. E agora é hora de revidar.

O plot em si não é nada demais, mas o filme trata do assunto com uma frieza única. Alguém está usando a população, fazendo dinheiro e poder em cima deles e utiliza a mídia para acobertar os fatos. Dentro de uma superficialidade do entretenimento, Carpenter insere mais perguntas para as dúvidas do momento americano do lançamento do filme: somos apenas meros fantoches que trabalham para que os ricos tenham uma boa vida? Ou acreditamos no nosso país, seja qual for a classe social em que eu esteja? É a terra da liberdade e dos bravos? Vale a pena conviver com isso?

Dentro deste contexto de reflexão cultural e comercial (Carpenter gosta de fazer isso, vide Fuga de Nova York), existe o entrenimento, claro, mas o plot é tão bem desenvolvido que a ação existe em função do roteiro, e não vice-versa, o que deixa o filme mais interessante ainda. Roddy Pipper (um ex-lutador de luta livre) é carismático suficiente para segurar a bola e, ainda, protagonizar uma das lutas mais longas e bem feitas do cinema. E se você reclamar dos efeitos simples, não conseguiu visualizar a obra de uma forma completa, pois a grande estrela ali é o conteúdo e o sarcasmo com que trata o assunto de dominação mundial e como podemos ser manipuláveis sem nem mesmo saber, através de mensagens que desconhecemos a olho nu, mas que nosso cérebro veste como se fosse um Armani.

É uma pérola e um clássico da cultura pop, um exemplo de criatividade e de como os filmes de entretenimento atuais estão esquecendo que, para se contar uma história precisa-se antes de um bom assunto, seja ele qual for, mas que tenha conteúdo. Depois pensamos nas cenas de ação e efeitos. Um filme original até os ossos e totalmente subestimado.

Em se tratando de subliminariedade, se você viu Clube da Luta, pode ter certeza de que viu a cena final, seus olhos querendo admitir ou não...


OS: Infelizmente, esse filme não foi lançado em DVD no Brasil. Deveria, porque o que tem de gente querendo assisti-lo não é brincadeira.

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Ficha Técnica
Nome original: They Live
País: EUA
Ano de lançamento: 1988
Diretor: John Carpenter
Elenco: Roddy Pipper, Keith David

Quinta-feira, Maio 21, 2009

No MP3

Fazia tempo que não postava nada sobre música e tenho ouvido tanta coisa legal.

Animal Collective / Merryweather Post Pavillion
Peguei a dica dessa banda na coluna do Érico Assis, no Omelete. Difícil colocar um label na banda americana, já que aparentemente eles gostam de fazer uma mistura inusitada de estilos, sendo que o psicodelismo e o folk parecem ser os mais presentes. Lembra um pouco Stone Roses, mas sem a telemetria do Ian Brown. Não é ruim, não, é um som bem trabalhado e criativo, só não é a minha cara. Pra mim, esse tipo de som é mais incidental, como se fosse parte da trilha sonora de um filme. Esse disco é o último da banda, portanto ouvirei os anteriores para ver se há alguma coisa interessante.
Destaque: Lion in a coma

Chris Cornell / Scream
Alguém pode por favor dizer para o Timbaland ficar brincando somente com a turma dele? Sério, não sei o que deu no Cornell pra apostar nessa parceria, porque o resultado é uma vergonha. Tá, Cornell cansou do estilo Soundgarden, isso já ta provado devido aos seus trabalhos solo (que, por sinal, já eram bastante irregulares), mas chamar o rei do “levanta cantores que estão em decadência” para novo projeto? Que tipo de agente vagabundo tem um cara desses? Nada contra o Timbaland, aliás seu estilo funciona muito bem para o nicho proposto (Sexyback/Lovesongs é espetacular, com um target extremamente bem definido), mas usar a mesma receita para um cantor de rock, com um vozeirão igual o do Cornell? O cara estava bem com aquela música para Cassino Royale, pô! Experimentalismo, sim, oportunismo, me poupe. Um dos piores discos que ouvi nos últimos anos.
Destaque: Scream (nenhuma se salva, mas essa é a menos pior. Coitado de quem vê o clipe, gosta da música e compra o CD)

Metallica / Death Magnetic
Nunca fui grande fã da banda, portanto não tenho gabarito pra ficar criticando. Aliás, vou ouvir todos os discos na ordem para te uma idéia melhor do trabalho dos caras. Por enquanto, a referência que tenho é o memorável Master of Puppets, um puta disco. Depois disso, ouvi um monte de músicas do “álbum negro”, que tocaram à exaustão, os detestados Load e Reload e achei o resultado bem inferior, com mais plasticidade do que som. Death Magnetic é o oposto de seus predecessores, um disco visceral e barulhento, no bom sentido. Mas não adianta, as músicas mais lentas do Metallica não me agradam de jeito nenhum.
Destaque: All Nightmare Long (uma porrada no tímpano, com um dos clipes mais criativos dos últimos tempos)

The Last Shaddow Puppets / The Age of the Understatement
Marquei feio com esse aqui. Fã assumidaço do Arctic Monkeys, deixe passar o fabuloso projeto paralelo do vocalista da banda e do vocalista do The Rascals. Um disco montado com uma cadência única, parece que é uma trilha sonora de filme, tamanha convergência e unidade., as músicas tem, por mais diferentes estilos que contenham. A banda brinca com temas compostos, improvisações e influências diversas, dos anos 40 para cá. É contemporâneo utilizando elementos antiquados e até esquecidos. Pra mim, virou obrigatório. Pena que é curto.
Destaque: "Standing next to me" (um clipe feito com dinheiro de pão, mas com um puta resultado)
(thanks to Gaby e Alex)

Frank Zappa / Freak Out! Fazia tempo que eu estava ensaiando de ouvir os discos do Zappa desde o primeiro, porque conhecia pouca coisa. O resultado da primeira experiência é que, em 66, Zappa deveria ter sido considerado um maluco total, porque ele é completamente fora de seu tempo. Se esse disco fosse lançado hoje seria um puta sucesso. Um disco atemporal e altamente influenciador não só pelo conteúdo musical, mas pelas letras. Acho que todas as bandas atuais devem ter bebido um pouco no experimentalismo dos Mothers of Invention. Beck, por exemplo, é puro Zappa. Impressionante. Agora vamos pro disco dois, "Absolutelly Free". Viciante.
Destaque: Hungry Freaks, Daddy! (o disco todo é sensacional)

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Filmes da Semana

Feriadinho prolongado e um bom e merecido descanso. Ainda estou tentando entrar em sincronia com Fringe, mas deu pra ver alguns filmes bem legais.


O Último Trem

Depois de uns filmes com Jason, Michael Myers e outros daquele estilo adolescente, eis um filme que me assustou de verdade. Talvez pela sua natureza mais realista, talvez pelo gore ser utilizado para impressionar e não apenas para polemizar ou causar náuseas, ou talvez simplesmente pela bela construção visual, com tons de cores azulados e a coragem de mostrar efetivamente o que acontece com a brutalização do corpo, The Midnight Meat Train (sim, o título original é centenas de vezes melhor) é um dos melhores exemplares do gênero dos últimos anos, provavelmente porque o filme tem uma história com um dos assassinos mais assustadores já criados, e por um roteiro que respeita o espectador narrando a decadência de um fotógrafo e sua animalização na busca pela foto perfeita. Mérito de Clive Barker (criador de Hellraiser, um dos filmes de terror que mais me tirou o sono na adolescência)e do diretor, que soube usar a câmera, colocando o espectador numa viagem infernal de trem. As cenas de morte são excepcionais, deixando O Albergue lá pra trás.

Vicky Cristina Barcelona

Sensível, direto e inconstante, Woody Allen novamente flerta com o amor usando uma direção sólida, um roteiro sincero e atores escolhidos a dedo. Um filme marcante pela simplicidade e pelas nuances de como o amor é complicado para os olhos mais sedentos. Apesar de Penelope Cruz ter levado o careca de ouro, quem realmente me impressionou foram Javier Barden e a quase desconhecida Rebecca Hall.

Cloverfield

Ainda um filme inovador e, provavelmente, um dos melhores filmes de monstro dos últimos anos (ao meu ver, só perdendo pro sensacional O Hospedeiro). JJ Abrams é um cara ímpar, com criatividade de sobra e, principalmente, muito prendado e paternal quando se trata de suas crias. Acho que aí é que está o diferencial. Lost, Fringe, o terceiro Missão Impossivel e o espetacular Star Trek (vale cada centavo nos cinemas) estão aí pra provar que ele tem razão, certo. Tava na hora de ter uma continuação já, não é?

Monstros Vs. Alienígenas

O que me deixou pensando ao final é o que a Pixar faria com uma ideia dessas, aliás, uma puta ideia. Pena que os roteiristas não aproveitaram nem 20% do potencial, principalmente nos diálogos dos personagens principais. As piadas mais legais e viscerais ficaram com os personagens secundários. Achei bem legal, mas faltou um John Lasseter ali pra lapidar.


Anjos da Noite 3

vi o primeiro no cinema e achei legalzinho. Não vi o segundo pois me falaram muito mal. O terceiro dá pra ver sossegado porque é uma prequel. Mas nada disso salva o emaranhado de clichês, efeitos apenas medianos e um roteiro raso. Apesar de achar a Rhona Mithra um mulherão, o diretor não explorou nada do potencial dela. Antes tivesse abusado das curvas dela como da Kate Beckinsale... :)

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Filme • Rocketeer


Herói fora de hora

Com essa evolução do formato HQ para cinema e, consequentemente, esse desespero que Hollywood tem de espremer segmentos e produtos até a última gota em função da bilheteria, fiquei imaginando o motivo que levou ao “fracasso” de Watchmen. No retrocesso, os filmes que realmente nos marcaram baseados em personagens de quadrinhos não foram muitos. Para o público geral, acredito que o Superman de Richard Donner, o Homem-Aranha de Sam Raimi e o Batman de Christopher Nolan tornaram-se realmente marcantes, independente de suas gordas bilheterias. Ao meu ver, alguns personagens menos conhecidos foram favorecidos com diretores competentes e, consequentemente, renderam ótimos filmes, mas com a bilheteria abaixo do esperado pelos estúdios. Cito para estes casos Hellboy, de Guillermo del Toro, Estrada para Perdição, de Sam Mendes e Marcas da Violência, de David Cronenberg.

Eu particularmente sempre fui um X-fã da época de Superaventuras Marvel e Graphic Novels. Mas aí a Marvel veio com aquela Guerras Secretas e eu não tinha dinheiro para comprar todas as revistas da Marvel. Nem queria. Nunca me interessei muito por Quarteto Fantástico ou Capitão América. E aquilo me soou como um caça-níqueis absurdo, jogada mercadológica mesmo. E olha que eu ainda nem pensava em me tornar publicitário. O fato é que comecei a selecionar mais os quadrinhos, comprando minisséries fechadas e esquecendo do mensal. Nesse leque todo, dentre os mais marcantes posso citar "Wolverine e Destrutor/Fusão", o onipresente "Cavaleiro das Trevas", "Elektra: Assassina", "Moonshadow", "A Era Metalzóica", alguma coisa do The Spirit e o azarão indicado pelo meu pai, uma Graphic Novel chamada "Rocketeer".


A história era simples: um piloto de aviões descobre num hangar abandonado uma “mochila-foguete” e acaba fazendo uns testes com ela, mesmo não sabendo do que se trata. Mas ele acaba descobrindo que esse foguete é um experimento perigoso, muito valioso e que várias pessoas estão tentando encontrá-lo. E para ajudar os “bonzinhos”, ele utiliza o foguete como um super-herói, até compreender que trata-se de um instrumento bélico.

A HQ é espetacular pela simplicidade. Desde o plot, passando pelos momentos de humor, mulheres extramemente bem desenhadas e as sequências de ação. O traço de Dave Stevens é lindo e tem uma cadência única. Infelizmente ele nos privou de sua arte no ano passado, quando foi vencido pela leucemia. Tudo o que se queria para uma leitura leve estava ali presente.

Em 1991 a Disney produziu um filme baseado em Rocketeer. Hollywood ainda estava tentando fazer filmes baseados em quadrinhos e suas últimas tentativas não estavam dando muito certo por vários motivos: roteiros que mudavam conceitos, efeitos visuais ainda não tão evoluídos e até descaracterizações de personagens em função da bilheteria. Ainda não entendiam que os fãs, targets primários dessas produções, preferem a fidelização e mudanças pequenas, somente em função da melhoria do produto final. Além disso, muitos produtos não eram para consumo geral, independente do respeito cinematográfico. Mas não foi o caso de Rocketeer. O diretor, Joe Johnston (hoje trabalhando numa adaptação de responsa: Capitão América) seguiu à risca tudo o que se pode esperar de um filme de aventura. É um dos filmes mais divertidos que já vi. Não fez sucesso nos cinemas, talvez porque os espectadores da época estavam esperando mais sangue do que risadas. Estavam saindo dos 80’s carregados de bom humor e entrando numa década em que John McClane havia reestruturado o cinema de ação e um tal de James Cameron escancarou todo mundo com sua visão apocalíptica e dark do futuro. A ficção científica renascia, fazendo as pessoas começarem a pensar um pouco mais ao invés de apenas sentar e rir. Ou o filme era ruim e ninguém gostou, vai saber. É um dos filmes com timming mais perfeito e bem dosado já desenvolvidos. Você vai encontrar de tudo ali: bastante aventura, ótimas perseguições, efeitos visuais excelentes levando-se em consideração a época e a Jennifer Connely pós-Labirinto, que me deixou de queixo caído na época e, até hoje, considero uma das mulheres mais lindas de Hollywood. Não chega a ser um Caçadores da Arca Perdida, mas certamente se você gostou da trilogia A Múmia, vai gostar muito.

Eu acho que determinados filmes são inseridos na cultura fora de hora. Rocketeer foi um deles, assim como Tron ou Eles Vivem. Mas podem ser redescobertos em DVD, quando lançados. Infelizmente a Disney não o lançou por aqui, o que me deixa bem chateado. Afinal, DVD atualmente não serve pra isso? Para que possamos ir no bacião da Americanas dar uma chance para aqueles que não conhecemos?

PS: O John Locke já flertava com queda de aviões na década de 90... :)



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Ficha Técnica
Nome original: Rocketeer
País: EUA
Ano de lançamento: 1991
Diretor: Joe Johnston
Elenco: Bill Campbell, Jennifer Connelly

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Filmes da semana

Final de semana de Páscoa... muita comilança, correria familiar e pouco tempo pra ver filme. Dei uma atualizada em Fringe, não deu tempo de ver o último de Lost. Peguei um tempo pra rever dois filmes que há tempos gostaria e um filme de terror me surpreendeu muito.

Halloween

Depois de ver o remake de Jason e ouvir os primeiros rumores sobre a volta de Freddie Kruger, fui assistir esse novo Halloween com o pé atrás, afinal não achei nada demais no filme do assassino de Crystal Lake e também não espero muita coisa sobre A Hora do Pesadelo (confesso que acho muito cedo para a indústria produzir um remake. Acho que os primeiros ainda merecem atenção). Remakes enchem o saco se não agregam nada. Mas o que Rob Zombie fez com Michael Myers merece uma atenção especial: ele pegou o assassino e o transformou em mito através de fundamentação psicológica e um background fantástico. Ele simplesmente, em alguns minutos iniciais, mostrou como um garoto tornou-se um monstro e como esse monstro tornou-se um dos maiores assassinos do cinema, usando artifícios simples, efeitos médios mas com uma atmosfera densa e, principalmente, crível. O filme tem um tom documental o tempo todo. Criativo, assustador e que mexe com o espectador através de subterfúgios mentais e músicas incidentais. Ah, a conhecida trilha sonora está lá, em toda sua magnetude. Um filmaço de suspense. Aguardo ansiosamente a continuação. PS: por desvios mentais de gerência de marketing, esse filme que tem data de lançamento em 2007, vai ser lançado este mês nos cinemas do Brasil.

Tron

Esse eu tenho em casa e acabo revendo pelo menos uma vez por ano. Incompreendido em sua época de lançamento, Tron é um dos filmes que marcaram minha infância e, acredito hoje, a infância de muita gente. O filme é adorado por legiões e sempre lembrado como um marco nos efeitos visuais, algo que até hoje não entendo como foram produzidos em 1982, época em que a Disney apostava em projetos diferenciados como O Abismo Negro, outro filme produzido fora de sua época. Aguardo ansiosamente um lançamento de DVD duplo com extras, mas duvido que saia por aqui. Por enquanto, fico com os rumores da continuação que ainda não tenho certeza se deveria ou não ser produzida.

Adrenalina

Contagem regressiva para o lançamento do filme com um dos trailers mais motherfuckers desse ano. Crank é um filme doido demais, um GTA em movimento, com um roteiro absurdo demais pra ser levado a sério e divertido demais pra não agradar. Revi e asseguro: essa continuação eu vejo com gosto no cinema.

Sábado, Abril 11, 2009

Links

• Torne-se um terminator: Terminate Yourself!

• A evolução do logo do Batman.

• Projeto de graduação de Reza Dolatabadi. Animação fudida!

• Fazer posters de cinema com cabeças flutuando é o seu trabalho.

• Excelente texto sobre Watchmen.

Domingo, Abril 05, 2009

Filmes da semana

Além de Wolverine (versão tosca), vi alguns filmes muito acima da média. Além disso, minha filha estava com um gripão e fizemos uma sessão pipoca infantil.

O Casamento de Rachel

Triste, denso e introspectivo, um dos filmes mais sensíveis que já vi. A narrativa constrói lentamente o tormento de uma família que passou por uma tragédia e, aos poucos, o diretor desconstrói cada um dos personagens envolvidos pela mesma. Anne Hathaway mostra aqui que é uma atriz de extremo gabarito, mas todo mundo no filme merece crédito. Obrigatório.


Ensaio sobre a Cegueira

Este, que está no meu top ten de 2008, continua soberbo. Meirelles pode não ter agradado aos críticos, mas que o filme é um dos mais originais, bem fotografados, dirigidos e emocionantes dos últimos anos, isso é. Muita gente só olhou para o que estava na tela, mas existem ali dezenas (talvez centenas) de referências à vida, ao conluio e ao desprezo humano por humanidade. Não li a obra de Saramago, que me disseram ser mais densa e detalhista, como qualquer livro. Mas, como filme, Blindness é uma aula de autenticidade.


Madagascar 2

Não adianta, talvez pelo original ter me surpreendido tanto (minha filha assiste o primeiro pelo menos umas duas vezes por mês) eu talvez esperasse mais desse. Mas isso não traz demérito ao filme que, aliás, tem muitas piadas engraçadas e com um roteiro que respeita o espectador oferecendo uma história excelente para uma continuação. Todos deveriam fazer isso em suas sequências. Destaques novamente para os pinguins.


Bolt

Revendo este depois do cinema achei que o 3D realmente me impressionou na época, mas é uma animação acima da média em relação ao que a Disney estava preparando. Não chega aos pés dos roteiros da Pixar, mas o dedão de John Lasseter já fez a diferença. Boas sequências de ação e uma história simples, mas que tenta passar uma lição interessante e até adulta para a geração de agora. Recomendo.


Assalto ao 13º DP

Ainda impressionante como filme de ação policial, mais ainda por respeitar a obra original, um filme construído para ser escuro, denso e trágico, não um filme de ação com tiroteios apenas, mas sim situações bem desenvolvidas, diferentes e o mais próximo possível da realidade. Ainda um filmaço.


Choke

Andei lendo uns reviews falando mal desse filme baseado num livro de Chuck "Clube da Luta" Pahlaniuk. Não sei se tais reviews me prepararam para ser surpreendido, mas achei um puta filme, com cinismo transbordando pelas laterais quadro a quadro, situações cômicas, psicóticas e absurdas, e uma interpretação responsável do excelente Sam Rockwell. Recomendo para pessoas que gostam da série Californication com o David Duchovny.

V de Vingança

Nada pra fazer e nada pra assistir. Coloco esse filme que não vejo há mais de anos e o que acontece? Ainda me impressiono em como o diretor foi corajoso com essa obra de Alan Moore. Assim como Watchmen, uma das HQ's mais importantes já produzidas, ao meu ver, teve um filme à altura, com alterações no original mas respeitando a coluna cervical da obra. Um filme corajoso, muito bem montando e atemporal.